Segunda-feira, 18 de Março de 2013

O povo do Chipre está a ser roubado... e a seguir, seremos nós?

Eu começo a perder a paciência com estas pessoas, a sério. Então agora querem vir colocar um imposto sobre aquilo que poupamos. Depois de andarem anos  dizer-nos que temos de poupar, vêm agora taxar aquilo que decidimos poupar? Ó meus grandes sacanas, mas quem raio são vocês para ns virem assim ao bolso, ainda por cima escondendo esse assalto com a lei e uma legislação que visa combater a crise?

Crise? Mas qual crise, qual carapuça! Vamos lá deixar de brincar aos governantes e pôr esta treta toda a funcionar como deve ser...

Há uns tempos atrás foi o IMI que sofreu um aumento brutal, em função das novas avaliações das casas, que é um imposto que eu não compreendo. Eu compro uma terreno com o meu dinheiro, e depois tenho de pagar para o poder ter? Que eu pague um impostos de circulação do meu veículo faz sentido, porque uso estradas que têm de ser mantidas (sem entrar nesse campo, que só aí...). Agora a minha casa, que não sai de onde está, tem de pagar um imposto... porquê?

Agora o Chipre decidiu impedir as pessoas de acederem ao dinheiro que elas ganharam de forma honesta, a fim de lhes poder aplicar um imposto sem justificação nenhuma, que é como quem diz retirar-lhes dinheiro que era delas, que é como quem diz roubarem. Esperam com isso angariar dinheiro para pagarem a crise que os governantes, os especuladores e os bancos criaram.

As coisas estão a atingir um ponto de não retorno, e como em Portugal eles adoram copiar ideias más, não deve tardar-se a que se comece a falar disto. Primeiro, será um comentário a estas medidas no Chipre, «impensáveis para a economia portuguesa, que não precisará delas». Depois, surgirão uns rumores na comunicação social que o Governo se prepara para fazer estas alterações, mas o Executivo, «claramente, negar essas acusações em sentido». Depois, surgirão as notícias de que a economia está a estagnar e que é preciso mais medidas. E como é injusto aumentar mais os impostos, vai-se ao dinheiro que as pessoas têm parado nos bancos. Se está parado, é porque não precisam dele, né?

Por esta altura, todos tentarão correr aos bancos para levantar o seu dinheiro, mas por essa altura já se terão criado decretos e legislações que, à semelhança do Chipre, permitirão aos bancos congelar as contas das pessoas, que ficarão sem acesso ao seu próprio dinheiro. Aqui deixamos de ter roubo para passarmos a ser vítimas de terrorismo bancário, que é o que está a acontecer neste momento no Chipre. As pessoas têm dinheiro, mas não lhes é permitido mexer nele, não se sabe até quando...

Vamos voltar a ter o dinheiro debaixo do colchão, e não haverá mais bancos com capacidade para emprestar dinheiro. Seja para comprar casa, seja para iniciar um negócio. Entraremos em colapso porque não podemos desvalorizar moeda enquanto estivermos dentro do Euro que, com tanta transformação, vai começar a desvalorizar seriamente, como já aconteceu hoje...

Esta medida criminosa que está a ser tomada contra os cipriotas devia ser condenada e julgada. Mas quem julga é quem faz as leis que permitem a essas mesmas pessoas roubarem dinheiro às pessoas...

Eu só pergunto: mas ninguém se lembra de combater a crise pelo lado da diminuição de despesa e do crescimento económico? Temos assim tão maus profissionais a liderar-nos? É que ou são incapazes ou corruptos. Eu não queria acreditar na segunda hipótese...








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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 7: a emoção

Sim, faltam aqui uns dias. Nos últimos dias, com o trabalho acumulado, não foi possível chegar ao fim do dia e escrever qualquer coisa. Portanto, só hoje, ao entrar no comboio que me levará ao aeroporto, consigo ter tempo e cabeça para escrever algumas linhas sobre estes últimos dias.

Saio de Roma à pressa, com medo de perder o avião, pelo q nem tenho tempo de ficar triste a olhar para tudo o que não vi. E foi muito, garanto.

A Cidade Eterna não deixa ninguém indiferente. Tem uma história única, que percorre vários estágios da história da humanidade, e é quase um museu vivo, onde se tropeça em pedaços de história em cada esquina. Igrejas, obeliscos, templos, banhos, coliseu, circos... A oferta é tanta que o difícil é saber o que fazer com o pouco tempo que nos é dado para a descobrirmos. Sim, porque todo o tempo é pouco para descobrirmos Roma.

Já tive o privilégio de ver ao vivo maravilhas do mundo como Angkor Wat ou Petra. São obras magnificas, que formam uma memória que dificilmente irá desaparecer. No entanto, entrar na Basílica de S. Pedro bate tudo o resto. Como diz o Monsenhor Bettencourt, uma das pessoas mais interessantes que tive oportunidade de conhecer aqui nestes dias, "aquela basílica não é da Igreja, é nossa, dia cristãos". E sim, posso dizer que ali me senti em casa, junto dos meus.

Tive ainda a sorte de poder visitar esta cidade maravilhosa em pleno Inverno, e apanhar dias cheios de sol, óptimos para a fotografia. Assim a horda de turistas foi muito menor do que aquela que parece invadir a cidade no verão. Sinceramente, eu já achei que andava muita gente na rua, mas garantiram-me que isto não é nada, portanto nem quero imaginar o caos que se apodera desta cidade... :)

O cansaço começa a apoderar-se de mim, pelo que vou só juntar aqui umas fotos e vou encostar a cabeça... ;)

































  


PS - Entretanto, voltei para trás porque afinal a viagem era só amanhã...... pelo que tenho mais um dia de Roma!!!! :)
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 4: o Angelus

Este foi o primeiro dos dois dias marcantes neste final de pontificado de Bento XVI. A oração semanal do Angelus veio confirmar a ideia que os dois cardeais portugueses em Roma me tinham já dito: Bento XVI não irá desaparecer da face da terra, isolado num convento de clausura até ao final dos seus dias de vida. Antes, irá manter-se ativo, dentro das "limitações próprias da minha idade", disse hoje numa Praça de S. Pedro quase cheia. Não houve de facto uma grande multidão, mas o Angelus é uma oração curta, sem grande contacto com as pessoas. Quarta-feira está prevista uma passagem papamóvel pelo meio dos fiéis, para uma despedida à seria, e aí a expectativa é que até a Via Della Concilliazione encha para ouvir a ultima catequese.

Tudo isto é um movimento novo para mim, e está muito enriquecedor vivê-lo aqui, onde tudo acontece. Há muita movimentação, muito stress informativo, e eu gosto do desafio e de trabalhar sobre pressão.

Outra coisa engraçada é o facto de muitos dos jornalistas terem ido embora hoje. Fico cá eu e a Rosário Salgueiro da RTP, e pouco mais. Fizeram-se amizades, trocaram-se contactos, trabalhou-se em conjunto... Foram dias muito giros. Só tenho pena de não ir para o Conclave, pois isso é que seria uma grande experiência...

Em temos de imagens de hoje, ficam as grandes panorâmicas do Angelus, e mais umas coisinhas que consegui ir vendo enquanto me deslocava de um sítio para outro.



















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Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 3: o início dos trabalhos

Terminou hoje a primeira das razões que me trouxe a Roma, o seminário de jornalistas de língua portuguesa. Foram 3 dias de trabalho que me permitiram passar a conhecer um pouco melhor o Vaticano e a sua forma de funcionamento.

Além disso, a convivência salutar com jornalistas de outros meios bem maiores e com muito mais experiência é de um benefício extraordinário para mim, que sou o benjamim do grupo doa jornalistas de religião. Não necessariamente em idade, todos os outros jornalistas me ultrapassam em experiência de trabalho, e por isso é muito útil para mim poder estar perto deles, poder ouvi-los e poder ir construindo o meu lugar no meio de tanta gente competente e experiente.

Agora que terminou o curso, começa o verdadeiro desafio: cobrir os últimos dias de Bento XVI como Papa, o que, para um órgão de com. social pequeno como o meu, é um tremendo desafio. É a primeira vez que vou estar na saída de um Papa e tenho pena de não poder estar para o fumo branco, mas um passo de cada vez... :)

Hoje não houve grande tempo para visitas, mas as poucas revelaram-se extraordinárias...











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Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 2: a surpresa

Roma é uma cidade surpreendente. Em todas as esquinas da cidade, há um pedaço de história à espera de ser descoberto. Monumentos, igrejas, fontes, obeliscos... Td à espera de ser encontrado, e cada um mais fantástico que o anterior.

De manhã, a basílica de S. Pedro. De tarde, o Pantheon e a Fontana di Trevi.
E eu todo contente de um lado para o outro... :)














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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 1: o espanto

Sempre tive vontade de vir a Roma. Era, juntamente com Praga, as duas capitais europeias que eu mais gostava de visitar. A possibilidade de vir a este seminário para jornalistas e de cobrir os últimos dias de Bento XVI como Papa abriram-me a porta para conhecer esta fantástica cidade.

Na minha ideia, sempre esteve a noção de que era preciso pelo menos uma semana para se ver Roma, e mm assim havia umas coisitas que ficavam por ver. Hoje, depois de cá estar um dia na cidade, rio-me desta minha ideia parva. Acho q nem um mês chegaria para ver tudo o que a cidade tem para oferecer. Cada canto de Roma tem história associada. Mais recente ou mais antiga, confundem-se as praças romanas com as capelas renascentistas e as galerias de arte moderna.

Comecei pelas igrejas. Que espanto!!!!!! Não tenho palavras para descrever aquilo que senti hoje quando entrei na igreja de Santa Maria Maggiore. Eu já tinha estado em igrejas bonitas, ricas em ornamentos e decorações, mas o que vi hoje em duas igrejas apenas excede em muito tudo o resto que vi na minha vida (o Duomo em Milão mantém-se como referência também). Crentes ou não crentes, é impossível não sentir o coração dar um pulo perante tanta beleza que nos é colocada ali. Eu já tinha visto muitas fotos de igrejas em Roma, mas ao vivo...

Fica aqui o resumo fotográfico do dia, do registo do telemóvel. Amanhã há mais, e eu mal posso esperar...



















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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Perspectivas

É engraçado como há sempre dois lados de uma questão: o que no chão era um amanhecer tristonho e chuvoso, no céu era um amanhecer glorioso....







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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

Créditos e a perda de valores

Uma notícia no site Dinheiro Vivo há dias reportava que os cidadãos esperam conseguir comprar um carro a pronto pagamento, alterando o que seria aparentemente de esperar, pelos vistos. A mim só causa estranheza que apenas agora as pessoas se lembrem que, afinal, devem comprar as coisas para as quais têm dinheiro, e não o contrário.

A ânsia consumista das populações dos países mais desenvolvidos levou-os a alterar a sua conceção de compra. Alicercados na ideia de que é preciso consumir cada vez mais, o crédito surge como uma resposta aparentemente brilhante aos desejos negociais dos grandes industriais. Assim, instituiu-se na sociedade a ideia perigosa e eticamente reprovável que se pode ter hoje aquilo para o qual ainda se vai trabalhar para ter.

Antigamente, nos dias que parece que hoje estão a voltar, se eu queria comprar algo, poupava, poupava, poupava, e quando chegava a altura, partia o porquinho mealheiro, contava os trocos todos e ia todo contente comprar a viagem ao Egipto que eu tanto desejava . Dava valor ao trabalho, porque tinha-me esforçado muito para alcançar aquele objetivo, e sobretudo dava valor à viagem, que permanecia no meu imaginário por tempos intermináveis como lembrança de que o trabalho dá resultado. A poupança a funcionar no seu melhor.

Hoje, observamos uma inversão completa do sistema: queres ir de férias já? Viaja agora, e ficas a pagar nos próximos dois anos a viagem que fizeste agora. Não precisas de te preocupar em esperar, porque podes ter a viagem que sempre desejaste já, agora. Não é bom? Não, não é. O que é que acontece a seguir? 3 meses depois da viagem, que ainda estamos a pagar, vemos um carro fantástico que queremos ter. O que fazemos? "É fácil, fazes um crédito e ficas a pagar o carro por uns aninhos em prestações bem suaves", dir-nos-á um vendedor muito bem intencionado, que só nos quer ajudar a sermos mais felizes...

O que sucede em todo este processo? Deixas de trabalhar para atingir um objetivo, porque esse objetivo já está alcançado a priori, e desanimas, desmotivas, pelo menos enquanto não arranjas outro objetivo. Mas em teoria não podes trabalhar para esse objetivo, porque ainda estás a pagar o outro. Mas tu não queres saber, porque a vida são dois dias e o Carnaval são 3, e acumulas dívidas.

Um dia, ficas sem emprego, porque a crise estalou e, afinal, não tens possibilidade de pagar aquilo que há 1 ano atrás achaste que terias. O que acontece? Culpas o sistema, a crise, os políticos, mas não te culpas a ti próprio, porque contaste com o "ovo no cu da galinha", e afinal ele não estava lá...

Infelizmente, a sociedade está organizada para que te seja impossível, nas grandes cidades ou nas pequenas, ter uma casa sem contraires um empréstimo para o resto da tua vida. Mas para além deste, todos os outros créditos são tentações que apenas servem para te colocar em sarilhos. Se queres ir de férias, porque é que não poupas durante 2 anos e depois vais de férias descansado, porque poupaste o que precisavas e sabes que não terás dificuldade em pagar no futuro, porque já o pagaste no presente. Se queres um LCD estrondoso, porque é que não poupas para o comprar quando tiveres o dinheiro na mão? É assim tão mau esperar pelo tempo que virá, que temos de hipotecar o futuro por causa de termos um presente mais cheio de coisas?

Como é que uns pais que têm crédito do carro, das férias, do televisor, da Bimby, de tudo, podem ensinar os seus filhos a pouparem no seu mealheiro para no futuro poderem ter o que quiserem? Se o pai teve tudo no momento em que quis, como é que vai explicar ao filho que ele só pode ter as coisas que gosta quando juntar o dinheiro para isso? É difícil, e por isso também os miúdos têm tudo antes de tempo e não aprendem a dar valor ao fruto do seu trabalho.

Quando eu fui comprar o carro que adquiri agora, a vendedora de um dos stands tentou convencer-me a comprar um modelo acima, apesar de eu não ter orçamento para isso. "Não faz mal, pede um crédito pequenino para esse valor, fica a pagar pouquíssimo", dizia-me, e olhou-me de lado quando eu lhe disse que não pretendia gastar mais que o dinheiro que tinha, porque era de facto esse que tinha, e não queria fazer empréstimos. "Mas se pode ter um modelo melhor por mais 3 ou 4 mil euros, porque não tê-lo?" A resposta é que não posso tê-lo, exatamente pelo facto que não tenho dinheiro para ele. Essa é uma certeza, e rodeá-la com créditos e empréstimos foi uma das razões (não a única, obviamente) pelas quais muitos portugueses estão hoje em maus lençois...

A crise parece estar, no entanto, a devolver este pensamento à mente das pessoas. Nada na nossa vida é certo, muito menos o emprego. Vivemos num mundo em constante mudança, e não sabemos por quanto tempo temos os nossos empregos, ou se passaremos por fases em que teremos de nos ajustar a uma austeridade auto-imposta. Por isso, mais pessoas têm hoje medo de contriar créditos, e passam a trabalhar para juntar dinheiro e só depois comprar o que precisam. Esta é mais uma das lições que devemos retirar da crise, e uma das mais valiosas, porque nos dará a força para voltarmos a perseguir os nossos objetivos com mais motivação, e a procurar alcançar aquilo a que nos propomos sem atalhos que só prejudicam...
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Obrigado

Dizem que hoje é o dia Internacional do Obrigado. Esta é daquelas datas que também não deveria existir, pois toda a gente deveria agradecer o que recebe. Faz-me confusão passar a estrada sem agradecer, ou segurarem-me a porta e não dar um sorriso à pessoa, e por conseguinte faz-me confusão que não o façam a mim...

Este não o dia de Ação de Graças, esse já passou. Este é o dia para se dizer aos desatentos: agradecer é, antes de mais, uma questão de educação, e cria bem-estar entre todos...

Por isso, toca a dizer Obrigado, tá? :)
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

Shutterstock

Consegui finalmente ver a minha conta aprovada no Shutterstock, um banco de imagens na net, o que pode representar mais uns trocos ao final do mês, desde que eu saiba trabalhar bem com isto. Por isso, se alguém precisar de fotos e as minhas servirem, é só clicarem e comprarem.... ;)


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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

Desafio de Ano Novo

O início do ano é a altura ideal para se fazerem planos. Imbuídos do espírito de que tudo começa hoje, pensamos no que fizemos, mas deveríamos pensar mais no que nos propomos fazer. Como quero eu que seja a minha vida este ano? Que projetos quero começar, e que metas pretendo alcançar?

Há quem leve este propósito mais além, e pense 20 anos à frente:


Um vídeo promocional, obviamente, mas que nos deixa a pensar. Se fosse possível entregarmos a nós mesmos uma encomenda daqui a 20 anos, como gostaríamos que estivéssemos? Ou que mensagem gostaríamos de reforçar, receando que possa ser aquela que mais facilmente se esquece? Seja em termos de viagem, seja em termos de quaisquer outros planos para a vida. Quereria estar casado, com filhos? Quereria ter casa própria, ou viver com os meus pais? Quereria ter um carro topo de gama, ou ter conhecido países nos 5 continentes? Quereria estar a trabalhar no mesmo sítio, no mesmo país, ou ter mudado de vida?

Não conheço nenhuma empresa que entregue mensagens daqui a 20 anos, ou os custos de tal operação (embora continue fascinado com aquela mesa de escritório... :) ). No entanto, sei que provavelmente, no final deste ano ainda vou ter este telemóvel, e muitos de vós provavelmente também terão. Por isso, fica o desafio, que eu pelo menos já fiz: criar um lembrete, que expira a 31 de Dezembro de 2013, com todas as coisas que eu me proponho alcançar este ano. No final do ano, ao sermos lembrados do que deveríamos ter feito, poderemos ver o que de facto fizemos, e pensar no que não fizemos e no porquê. Além disto, será interessante perceber o que é que não estava nos planos mas aconteceu na mesma, bom ou mau.

Um ano é imenso tempo. Passa a correr, mas dá-nos a oportunidade de vivermos muitas coisas diferentes. Sabemos o que queremos, andamos apenas ao sabor da maré, ou planeamos o suficiente para deixar espaço para sermos surpreendidos?

Fica o desafio...
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012

Velhice e solidão

Como é tradição, a minha tarde de dia 24, e a de outros, foi passada no lar de Costas de Cão da Sta Casa da Misericórdia, onde algumas dezenas de idosos passam o Natal sozinhos. Há mais de 10 anos que lá vamos passar o Natal, e muitas das caras são recorrentes. Há quem não tenha família, há quem a tenha longe, e há quem a tenha perto, mas não veja na mesma. Apesar de terem razões diferentes, o resultado é o mesmo: a solidão numa noite em que ninguém deveria ficar sozinho.

Quando tudo começou, esta atividade era considerada uma "Prova de Fogo" pela equipa de caminheiros regional D. Gilberto Reis, entretanto extinta. Considerávamos nós que quem decidisse participar estava verdadeiramente imbuído do espírito de serviço, devido ao esforço de abdicar de parte da sua consoada em família para vir aqui. Aliás, é ainda com surpresa que as pessoas reagem hoje em dia quando explico que a tarde e o início da noite de Natal são passados desta forma. No entanto, ao longo dos anos, vários têm sido os voluntários que se dispõem a fazer esta visita, e é muito bom que assim seja.

Este ano senti-me mais mal do que bem. Dei por mim a olhar para aquelas caras, ali sozinhas, sem ninguém que as apoie. Há quem esteja muito debilitado fisicamente e mentalmente (uma empregada do lar explicou-me que a maioria deles sofre de demência), mas também há quem esteja normal e em perfeitas condições de vida. No entanto, ali dentro, todos parecem pertencer a um mundo diferente, um mundo fora do mundo em que todos vivemos, um mundo isolado, onde foram despejados sem apelo nem agravo. Eu sei que há várias iniciativas que procuram mantê-los ativos ali naquele lar, como haverá noutros, mas duvido da eficácia. Era preciso ter um lar aberto à comunidade, que recebesse crianças e jovens também, onde os idosos pudessem mostrar o que sabem e conhecem e ensinar os mais novos, onde pudessem desempenhar uma tarefa que fosse útil, e onde não se sentissem sozinhos.

Naquela noite, dezenas de idosos ali, e milhares espalhados por lares em todo o país, jantaram às 18h45 e foram dormir às 19h30. Quando saímos, havia 4 ou 5 dos mais autónomos que estavam na sala grande a ver o Preço Certo, mas imagino que em breve regressariam aos seus quartos...

Que sociedade estamos nós a construir, que faz tudo por aumentar a nossa vida, mas que ignora aqueles cuja vida aumentou sem a qualidade que seria de esperar? Porque é que pegamos nos nossos mais velhos, e os fechamos em lares para deles nos esquecermos rapidamente? Porque é que os lares não são casas abertas à sociedade, que de lá poderia aprender e receber tanto?

Aqueles idosos sorriram, dançaram, recitaram poemas e aplaudiram quem lá esteve. O seu Natal foi um pouco diferente. E os outros espalhados pelos outros lares? E o resto do ano, como é? De que me serve a mim poder viver mais 15 ou 20 anos, se os vou passar debilitado e sozinho, fechado num lar? Isto é vida?

É nosso dever olhar pelos nossos anciãos, cuidar deles e garantir que têm uma vida tão digna quanto possível. Sejam família ou não, merecem o nosso respeito e nossa dedicação. Sem eles, nós não existiríamos. Sem nós, eles não conseguirão existir...
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

Feliz Natal e um ótimo 2013

Bom, há que tempos que não vinha até aqui. A preguiça tem-se apoderado de mim e, munida de excelentes desculpas, tem-me impedido de qui vir deixar algumas notas sobre o que me vai sucedendo. Entre os vários propósitos para 2013, um deles será a maior regularidade na vinda aqui ao estaminé.

O Natal é daquelas alturas do ano em que uma pessoa tem de andar feliz. Tem de ser, e não pode ser de outra maneira. É um tempo de convívio, de jantares e almoços, de reunião daqueles que não vemos, muitas vezes, há imenso tempo. É um tempo de partilharmos gestos que nos aproximam dos outros, mais do que partilhar prendas que de pouco ou nada servem.

A crise que afeta o país obrigou a que muitos se tivessem de voltar para o essencial. Sem dinheiro, não há lugar para grandes trocas de prendas. É por isso que  Natal será pior? Certamente que não, e não se ouve ninguém a falar nisso. As pessoas queixam-se que há menos dinheiro para prendas, mas não ouvi ninguém dizer que o Natal seria mais triste por causa disso. É que, na verdade, o conceito de prenda não é o mais importante do Natal. Nunca foi, apesar de algumas pessoas poderem ter andado enganadas algum tempo. O mais importante é a reunião da família, a Missa do Galo ou outras tradições natalícias, ter a criançada acordada até tarde, a correr pela casa como se não houvesse amanhã. Isto é Natal, as prendas são um acessório muitas vezes desnecessário, que nos afasta do que é essencial.

Há uns anitos atrás, nasceu um Menino, enfiado numa manjedoura. Com ou sem vaca e burro, não é importante. Nasceu Jesus de Nazaré, para uns o Filho de Deus, aquele que veio para nos salvar. Nasceu uma pessoa boa, que fez o bem e pediu que outros o fizessem, em Seu nome, para todo o sempre. E ainda hoje, pessoas, em Seu nome, fazem o bem e ajudam que mais precisa. Este é o sentimento do Natal, aquele que nos enche de alegria porque festejamos a vida, o nascimento, o começo de uma nova aventura.

Que este Natal possa ser vivido como o início de uma nova aventura, uma alegria que se apodera de nós e nos faz avançar, ultrapassar os obstáculos, e chegar mais além. Vivemos tempos de crise e austeridade, mas não há razão para a crise financeira nos provocar uma crise de espírito. Quem tem força, pegue na mão de quem está mais em baixo, e puxe-o para cima. Vamos espalhar a alegria do Natal por todo o lado, e transmitamos esperança aos mais desanimados. É Natal e um novo ano espera-nos. Saibamos entrar nele com um espírito alegre, de missão, e tudo correrá pelo melhor, mais cedo ou mais tarde.

Feliz Natal a todos, e um ano de 2013 cheio de coisas boas!!!
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012

33, diga lá outra vez

foto: ana
Ontem fiz 33 anos. A idade de Jesus Cristo, a idade do "diga lá outra vez". Não tenho grandes problemas com os anos que faço, mas é inevitável pensar no que passou e no que vivi. Dou graças a Deus pela vida que tive até hoje, e que me conduziu à pessoa que sou. Seria totalmente diferente se tivesse tomado outras opções, mas não consigo dizer se seria melhor, ou sequer mais feliz, e portanto não me arrependo das escolhas que fiz, e esse é o segredo para a felicidade.

De uma coisa tenho a certeza: seria muito menos feliz se não tivesse tantos amigos à minha volta. Muitos se fizeram presentes ontem (e hoje de manhã, com atraso mas cheios de boa intenção :) ), fosse em corpo, espírito ou rede social. Nunca me canso de falar das redes sociais, que permitem esta aproximação entre pessoas afastadas pela distância ou a própria vida, mas que não deixam de se querer fazer presentes neste dia. Sim, porque apesar do Facebook avisar, sou eu que decido dar os parabéns, e poder dizer que foram quase 200 pessoas a fazê-lo é de uma importância enorme para mim. Os amigos não são tudo, mas são uma parte muito importante da vida de cada um, e em especial da minha, uma parte que não se compra e que não se pede, mas que está lá para te acompanhar em todas as fases da tua vida. Apoiam-te, aconselham-te, criticam-te, elogiam-te, estão presentes para tudo o que for preciso, seja para uma viagem paga ao Vietname ou para o conselho na compra de uma casa. Tem sido incrível a quantidade de pessoas que se interessa ao ponto de me ajudar na procura de casa, por exemplo. E é disto que a vida é feita, de um conjunto de pessoas que nos quer bem, e a quem nós queremos bem.

Sem esquecer a minha maninha, que há tantos anos atura os meus devaneios com tanta paciência e carinho. Não seria metade da pessoa que sou sem ela (nem teria metade da roupa que visto :) ). Ela e os meus pais, para quem uma casa vazia é sinal de que algo não está bem. Por isso, ter a casa cheia nunca foi, nem nunca será, um problema, fosse aos 15, aos 20, ou aos 33 anos. Estão lá para tudo o que precisamos, e sei que lá estarão sempre, e isso é reconfortante saber. Aconselham sem impor, avisam sem deitar abaixo, orientam sem obrigar, dão na cabeça quando é preciso, e é esse o exemplo que espero seguir quando um dia tiver filhos e os pretender educar.

Quando olho para trás, recordo-me do que correu bem e do que correu mal. Coisas que poderiam ter sido feitas de outra forma, mas que a serem não me teriam conduzido a tantas coisas boas que hoje faço, tenho e consigo. A minha carreira de jornalista religioso, o meu projeto de fotografia, a minha princesa (cuja paciência p me aturar é sempre de elogiar), os meus escuteiros, as minhas viagens... momentos de uma vida feliz, que não existiriam, se atrás eu tivesse tomado esta ou aquela opção de forma diferente. Se eu não tivesse ido para Moçambique, não teria comprado aquela câmara fotográfica, não teria ganho aqueles prémios de fotografia, e não teria começado um caminho na fotografia que eu nunca tinha imaginado antes, por exemplo. Se seria mais feliz se fosse atrás e pudesse mudar isto ou aquilo? Não sei, nem nunca vou saber. Sei que hoje sou feliz, e nada mais interessa.

PS - Ontem muitos reclamaram, e com razão, da falta de slows. Fica aqui a promessa de que, aos 40, se a garagem ainda lá estiver, que a festa será lá, com amplificador, luzes e strob, o Alarma e o Kadoc - The Night Train a bombar, sem esquecer a vassoura e o cesto de nomes para os slows...
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

A saída da crise

Há tempos contaram-me uma história que visava explicar como um pouco de dinheiro, usado no sentido correto, poderia resolver o problema da dívida dos países e ser devolvido pouco depois.

Um turista vai até à aldeia para a visitar. Chega às 14h e vai até ao hotel e paga a sua estadia, no valor de 100 euros. O hoteleiro pega nos 100 euros e aproveita para ir pagar a dívida de 100 euros que tinha com o talhante. O talhante, por seu lado, pega nos 100 euros que recebeu e vai pagar a dívida de 100 euros que tinha para com o responsável do matadouro. Este responsável pega nos 100 euros que recebeu e vai pagar a dívida de 100 euros que tinha para com o dono do stand onde tinha comprado a sua carrinha, que por sua vez pega no dinheiro que recebeu e vai até ao hotel para pagar a dívida de 100 euros que tinha ficado do casamento da filha. Logo após ter recebido esse dinheiro, o turista entra no hotel e explica que não vai ficar ali mais um minuto, pois garantiram-lhe que o quarto tinha luz natural e afinal é um quarto interior sem luz. Reclama, e o dono do hotel devolve-lhe os 100 euros que ele pagou.

Moral da história: o dinheiro circulou por todos, foi usado para pagar as dívidas e apesar de não ter ficado para ninguém, todos ficaram sem dívidas e puderam prosseguir com os seus trabalhos.


Tendo em conta a sociedade que temos, e que nos empurra para o fundo com os seus valores egoístas, consumistas e materialistas, a história seria bem diferente:

- O hoteleiro teria guardado 50€ para si e pago apenas metade do que devia, porque disse que precisava de investir o resto num casaco novo (apesar do dele ter apenas 6 meses);

- O talhante pegava nos 50€ e pagava-os ao responsável do matadouro, mas dizia logo que 25€ seriam para pagar a dívida, e os outros 25€ para dar de entrada em mais 50€ de carne para o talho;

- O responsável do matadouro pagaria 20€ ao dono do stand, pois o resto do dinheiro foi gasto a arranjar a carne que o talhante precisava;

- O dono do stand pegava nos 50€ e metia-os ao bolso, porque o casamento já tinha acontecido e ele já não precisava de nada do hotel, portanto o tipo bem que se podia aguentar mais uns tempos sem receber, que os hóteis são negócios que dão muito dinheiro....

Quando o turista chegava para pedir o dinheiro de volta, o dono do hotel não o tinha, e viu-se a braços com uma queixa do turista, que lhe originou uma multa de 500€ por publicidade enganosa e o obrigou a fechar o hotel por não ter dinheiro para pagar a multa. Tudo porque em primeiro lugar preferiu gastar o dinheiro que tinha em coisas que não precisava, em vez de o ter aproveitado para saldar as suas dívidas...

Como tudo seria mais simples se todos fôssemos honestos e responsáveis...

PS - Parece que houve um deputado com PP que ganhou tomates e votou contra o Orçamento de Estado, por não concordar com ele, à semelhança de tantos especialistas. Por mim, ia já para primeiro-ministro. E o outro senhor de ontem, que não sei o nome, mas que disse "é preciso dizer à Troika que este orçamento não são só números, são pessoas" (ou algo do género), também merece um aplauso...


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